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MEDIAÇÃO POPULAR DE CONFLITOS: UMA EXPERIÊNCIA EXITOSA NA REGIÃO METROPOLITANA DE SALVADO

Por Sérgio São Bernardo A Secretaria de Justiça Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), em parceria com o Instituto Pedra de Raio (IPR), executa o Projeto Justiça Comunitária através dos Núcleos de Justiça Comunitária e das Casas da Cidadania, localizadas em Salvador e Região Metropolitana. Os Núcleos de Justiça Comunitária dispõe de orientação, encaminhamento e mediação de conflitos e direitos humanos para as comunidades onde estão instalados. O atendimento é aberto ao público e é gratuito.  O projeto conta com ampla articulação junto à Defensoria Pública, Ministério Público, Tribunais de Justiça e organizações do movimento social. A ação tem a parceria do Instituto Pedra de Raio e é fruto de convênio celebrado entre a SJCDH e o Ministério da Justiça, que tem o objetivo de contribuir para a democratização do acesso à Justiça.  O Projeto Justiça Comunitária tem seu funcionamento em cinco núcleos, localizados nos bairros do Beiru/Tancredo Neves, São Bartolomeu, Paripe, ...

EXISTE UMA FILOSOFIA ESSENCIALMENTE AFRICANA

Por Sérgio São Bernardo Existe mesmo uma filosofia voltada para os dilemas dos países do continente africano? É possível a afirmação de uma unidade filosófica africana? E se existe esta unidade, quais os conceitos essenciais que a caracteriza? Quais as marcas epistemológicas que a localiza? Precisamos chamar de filosofia a produção de saberes e linguagens gestadas a partir d e uma experiência africana no continente e fora dele? Enfim, este é o um debate que não precisa ter fim; a sua realização apenas nos convida a um diálogo necessário sobre uma tensão moderna de uma auto reflexão sobre nossa própria realidade e destino. A filosofia ocupa um lugar privilegiado no humanismo do Ocidente. Essa asserção, enfatizada por Appiah (1997) contribui para o debate da originalidade do pensamento estudado por africanos e por brasileiros como modelo de uma produção de saber sobre nossa própria realidade. Ele nos dirá que “a África é, acima de tudo, um continente, e de que o conceito de Áfr...

PÍLULA DE CIDADANIA: Troca de Mercadoria

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Para Além do Nilismo - Por Sérgio São Bernardo

Acabo de ler o livro Nilismo e Negritude do Camaronês Celestin Mongá. Acho uma boa leitura para os nossos continuados dias de diáspora e busca de sentido identitário e emancipatório. Um debate que aparecerá num futuro próximo face aos novos caminhos trilhados por nós mesmos nos últimos anos. Mongá traça um relato muito singular e amplo de sua visão sobre a África moderna. Uma desmontagem propositada das perspectivas essencialistas, culturalistas e desenvolvimentistas que povoam a África e a diáspora nas últimas décadas. Citando Senghor, Mongá faz seu acerto de contas sobre a sua África: ousa a refletir sobre uma herança frágil e cética fundada na afirmação da negritude e na negação ao colonialismo; admite precisar entender este momento pós-revolucionario e buscar o modo como os de sua geração devem seguir e conquistar a vida digna a partir desse lugar. Um lugar amplo e diverso que não sintetiza a África unida que pensamos existir; de uma superação de um nilismo ascético desumano ...

NO PRINCÍPIO ERA O MERCADO... O sentido civilizatório do Mercado de São Miguel

Por Sérgio São Bernardo Concebido na década de 50 e inaugurado em 1965, no ano de meu nascimento, o Mercado de São Miguel é hoje um instrumento público em decadência. Ali vivi parte de minha infância e adolescência. No restaurante chamado O Petisco, de propriedade de meus pais - os quais haviam fixado residência nos fundos do estabelecimento-, vivi aquela época como um dos momentos mais profundos para a minha compreensão de vida e de minha visão de mundo. Alí, junto aos meus irmãos Caco, Sinho, Nem e Carla, construí sentimentos que servem agora para minha conexão com o restante do mundo. O mercado popular é uma micro sociedade e dali podemos entender toda a complexidade da vida humana. Ressignificar o Mercado de São Miguel nos ajuda a respeitá-lo como parte da experiência portuguesa e africana: um mundo que se origina e constitui nele e dele se ramificou como espaço de comunicação e alteridade. Como toda a cidade da Bahia, nas décadas passadas, o mercado de São Miguel er...

Mediação Popular é tema discutido em seminário realizado na Cidade do Saber em Camaçari

A Secretaria de Justiça Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), em parceria com a Prefeitura Municipal de Camaçari, promoveu na manhã desta quarta-feira  (31/07), no auditório 2 da Cidade do Saber, o 1º Seminário de Mediação Popular – Desafios e Perspectivas nas Relações de Conflitos Comunitários. A mesa de discussão contou com a participação do advogado Sérgio São Bernardo, membro do Instituto de Raio - Justiça Cidadã (IPR), entidade responsável pelo treinamento da equipe técnica do núcleo e dos agentes comunitários, Lara do Carmo, uma das 30 agentes comunitárias do Núcleo de Camaçari, instalado no bairro Phoc II, Sara Andrade, coordenadora do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) de Camaçari e Vitor Pimentel, psicólogo do Núcleo de Justiça Comunitária de Camaçari, que atua em conjunto com um advogado e uma assistente social. No seminário foram discutidos as ações do Núcleo de Justiça Comunitária de Camaçari e a integração com a rede socioassistencia...

A NECESSIDADE DO OUTRO PARA A EXISTÊNCIA DO SER

Heidegger está convencido que a existência no mundo (a evidencia ôntica) constrói uma estrutura ontológica do ser. Daí a máxima a essência da presença está fundada em sua existência. Do mesmo modo o “ser-em-si” só se realiza com a existência dos outros, não é através de entes destituídos do caráter da presença que podemos analisar a existência. É a co-presença que os constitui, é no encontro com os outros que se justifica a presença. É importante enfatizar a noção de "outros" em Heidegger. Esses não são os restantes a partir de mim mas, sobretudo os idênticos a mim. A co-presença é o ser-em-si intramundano. Não há necessidade da presença conjunta com outros para o estabelecimento da presença ôntica do eu. Estar-só seria uma deficiência da existência no mundo. É aqui que reside toda nossa discordância, porquanto seja impossível estabelecer uma presença com o estranhamento do outro. Não há a pré-ocupação nesse estágio, essa ocupação necessária para o aprimoramento da ...